Questão: o eterno retorno dos animais em Nietzsche representa uma visão biológica do filósofo alemão? Não creio.
Como diz Paul Veyne em um artigo sobre Michel Foucault, o leão não sabe que não sabe. Age conforme seus atributos. Essas idéias são as mesma em Nietzsche. Daí seu carinho pelos animais. Daí o animal saber, segundo Nietzsche, o que é o eterno retorno. Sabemos que o conceito de eterno retorno significa "agir conforme se é". Ora, os animais não sabem que não sabem, enquanto que o homem, após Sócrates, pensa que sabe que sabe, já que reflete. É esse distanciamento, essa dobra do sujeito sobre si (na verdade é a emergência histórica do sujeito) que, segundo Nietzsche, foi a maior mentira da história do cosmos: possuir uma consciência teórica, distanciada da vida, crítica da vida: "um dia, homens inteligente inventaram o conhecimento....".
Quando o homem chega a agir como um animal, institivamente, sem saber que não sabe, este novo homem, não seria o super-homem? No entanto, esse retorno ao institivo, amor fati, não seria um retorno a uma nova forma de animalidade, uma animalidade superior? Tal forma de animalidade não seria a construtora de novos valores, de novas formas de existência? Ela não seria afirmação de uma nova maneira de ser, um novo sentido de existência? Esse eterno retorno não seria a autopoieses de Maturana e Varela?
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
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