1. Colocarei uma questão não porque sei a resposta, mas exatamente por não tê-la. Eis: Até onde se pode politizar a inteligência? Podemos ainda afirmar que há níveis de inteligência? Parece que tá ficando politicamente incorreto falar dessas coisas. Parece que estamos entrando numa época em que todos querem ter as mesmas capacidades ou talvez não querem estabelecer hierarquias de poder em função do saber ou da inteligência. Claro que no campo das nadarias, isto é, das ciências humanas, parece que isto é possível. Mas no campo das ciências exatas, é? Se nossa ciência hoje se confunde com os avanços tecnológicos, com atualizações tecnológicas que supõem cálculos etc, parece não ser possível avançar sem esses conhecimentos de base. Mas, na psicologia, quais são nossos conhecimentos de base? Conhecimentos imprescindíveis a todos os psicólogos? Existe isso? Podemos dizer que existe em todos os psicólogos existentes no mundo, ou mesmo no Brasil, ou mesmo em Aracaju, conhecimentos básicos, uniformes? Quais seriam esses conhecimentos que são produtos dos estudos e pesquisas da Psicologia, produzidos pela Psicologia?
2. Devemos admitir que a sociedade ocidental atual necessita de um mínimo de inteligência dos corpos humanos? Os conhecimentos atuais não necessitam de determinadas capacidades intelectuais para serem produzidos? Sabemos hoje que todos os seres vivos são seres dotados de inteligência e que seus comportamentos inteligentes possuem sintonia fina com seus modos de vida, com as exigências de cada ambiente que lhes estão associados.
3. Sabemos que Michel Foucault reavivou o tema poder/saber, o que fez com que muita gente pensasse assim: não há saber dissociado de poder, logo é o poder quem define o saber, logo se tenho o poder de escolha eu escolho quem eu quiser. Será essa afirmação verdadeira? Ou melhor: quais efeitos produzem tal afirmação?
4. A pergunta realizada acima, até onde podemos politizar a inteligência, se coloca estritamente para os corpos humanos, seres vivos e considerados de maior inteligência entre os vivos. Mas sabemos que nos seres humanos outros fatores comandam suas condutas: amizade, afetividade, sociabilidade, poder. Sabemos que amizade, sociabilidade, afetividade e poder não produzem conhecimento senão atrelados à inteligência. Seus sentidos são de outras ordens. No contexto em que nos encontramos, século XXI, com toda uma história de conhecimentos produzidos pela inteligência, pelo pensamento, que fizeram avançar a própria inteligência e os conhecimentos (história interna de cada ciência), até onde organizações voltadas para o conhecimento, como as Universidades, podem escolher seus atores pela via que não seja das capacidades intelectuais e dos conhecimentos produzidos? Sendo psicólogo, coloco esta questão tendo este campo e a Universidade como campo de referência problematizante. Sabemos que a psicologia é um campo de saber disperso. Nele não há consenso. Há grupamentos, partidários de uma linha de pensamento e de atuação. Trata-se ainda de conhecimento? Estamos entrando na barbárie dos guetos, das amizades, inimizades, amigos e inimigos? Parece que estamos caminhando nesta direção.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
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Um comentário:
Ultimamente questões como essas têm me trazendo grande encomodo,como aluna de psicologia me encontro as vezes num vazio, apenas vejo críticas por críticas, brigas partidárias, práticas ao acaso, onde está a psicologia?
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