Todos nós, do curso de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe, sabemos que fazem mais de dois anos que estamos tentando fazer uma reforma curricular do curso. Como a UFS não disponibiliza espaço para divulgação das nossas idéias e como o próprio curso não dar força para divulgar nossas propostas, dúvidas e impasses, revolvi colocar algumas desssas propostas/idéias neste blog para dar visibilidade ao que penso, pois o silêncio muitas vezes uniformiza o que é diferente ou, pior, divulga-se inverdades. Tudo cai na vale do indiferenciado ou das míseras intrigas. No dia 3.11.2006 enviei este documento aos colegas, obtendo apenas uma resposta de uma das colegas do DPS.
Caros colegas. Enquanto passageiro do “mesmo barco” denominado curso-de-psicologia-ufs dei-me a liberdade de construir estas questões para serem respondidas por nós, do DPS. O objetivo é tentar encontrar um mínimo de “con-senso” e objetividade em torno de alguns temas que acredito serem fundamentais para a reforma curricular. A idéia é que sirva de solo para os nossos próximos encontros-reforma. Caso outro colega tenha outra idéia estarei disposto a colaborar. A resposta deve ser SIM OU NÃO. Após responderem favor enviar para dps@ufs.br. Solicitarei a Andréa que imprima os questionários respondidos e abra uma pasta para os mesmos. Apuraremos juntos na quarta, às 08 da manhã. Não levará muito tempo. Grato pela compreensão e colaboração.
Sei que na nossa última reunião ficou estabelecido que na próxima quarta feira haverá uma reunião com 2 representantes de cada ênfase. Do meu ponto de vista alguns pontos deveriam ser melhor esclarecidos. Daí estou propondo que nessa reunião analisemos antes o resultado deste questionário e que as discussões subseqüentes levem estes resultados em consideração. Neste caso sugiro que esta reunião, das 8 às 10 seja aberta a todos os professores.
QUESTÕES
O DPS é constituído por 20 professores efetivos, sendo 13 doutores, 3 doutorandos, 3 especialistas, 1 graduado. Devemos almejar que sejam estes os professores a ministrarem as aulas para o curso de psicologia?
O professor que supervisionará estágio profissional deve ministrar alguma disciplina antecedendo o período do estágio, que possibilite formar o aluno para a sua perspectiva teórico-prática?
O professor que supervisionará estágio deve ter garantido alguma disciplina obrigatória no ciclo básico que possibilite formar teoricamente o aluno para o estágio?
O professor deve ministrar toda e qualquer disciplina sem ter chance de escolher?
Atualmente é possível afirmar que há uniformidade teórica no campo da psicologia?
No nosso Departamento há diversidade teórica?
O professor deve permanecer para sempre em uma ênfase
O professor pode, ao longo da sua trajetória intelectual, mudar seu modo de pensar e atuar?
O professor deve ser fixado a uma disciplina?
A Psicologia já chegou ao fim da/na produção de conhecimentos ou perspectivas?
Os professores mais antigos devem definir o que os mais novos devem ministrar?
Os professores mais novos devem definir o que os mais antigos devem ministrar?
Um professor pode definir o que outro deve ministrar?
Devemos inviabilizar o trabalho de algum professor?
Deve haver respeito pela perspectiva teórico-prática de cada professor?
Devemos possibilitar o desenvolvimento intelectual do professor?
Devemos limitar que o professor efetivo só ministre aula para o próprio curso?
No campo da psicologia há consenso no que diz respeito ao que é científico ou não?
Dessas perguntas e das suas respostas é possível concluir alguma coisa para a nossa reforma curricular?
QUESTÃO ABERTA
Qual seria a formação básica de um profissional de psicologia hoje, 3/11/ 2006?
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Reforma Curricular 1 - Curso de Psicologia UFS
Um curso é feito por docentes, discentes e servidores técnicos. Como nas outras atividades humanas, quatro princípios são importantes para o relacionamento e a convivência social na vida universitária.
O primeiro deles é a dignidade da pessoa humana, do qual
derivam os Direitos Humanos e os valores e atitudes fundamentais
para o convívio social democrático, como o respeito mútuo e o
repúdio às discriminações de qualquer espécie, atitude necessária
à promoção da justiça.
O segundo princípio é a igualdade de direitos. Todos têm a
possibilidade de exercer a cidadania plenamente e, para isso, é
necessário ter eqüidade, isto é, a necessidade de considerar as
diferenças das pessoas para garantir a igualdade o que, por sua
vez, fundamenta a solidariedade.
Um outro é o da participação, que fundamenta a mobilização
da comunidade para organizar-se em torno dos problemas da educação e de suas conseqüências.Finalmente, o princípio da co-responsabilidade pela vida sócio-acadêmica que diz respeito à formação de atitudes e ao aprender a valorizar comportamentos necessários à efetivação do ensino, da pesquisa e extensão, à efetivação do direito de mobilidade a todos os cidadãos e a exigir dos governantes ações de melhoria das instituições públicas voltadas para a produção de conhecimento.
O primeiro deles é a dignidade da pessoa humana, do qual
derivam os Direitos Humanos e os valores e atitudes fundamentais
para o convívio social democrático, como o respeito mútuo e o
repúdio às discriminações de qualquer espécie, atitude necessária
à promoção da justiça.
O segundo princípio é a igualdade de direitos. Todos têm a
possibilidade de exercer a cidadania plenamente e, para isso, é
necessário ter eqüidade, isto é, a necessidade de considerar as
diferenças das pessoas para garantir a igualdade o que, por sua
vez, fundamenta a solidariedade.
Um outro é o da participação, que fundamenta a mobilização
da comunidade para organizar-se em torno dos problemas da educação e de suas conseqüências.Finalmente, o princípio da co-responsabilidade pela vida sócio-acadêmica que diz respeito à formação de atitudes e ao aprender a valorizar comportamentos necessários à efetivação do ensino, da pesquisa e extensão, à efetivação do direito de mobilidade a todos os cidadãos e a exigir dos governantes ações de melhoria das instituições públicas voltadas para a produção de conhecimento.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
ABRINDO A CAIXA DE PANDORA 1
Após alguns séculos de existência, o que podemos dizer a respeito de nós, humanos? Que somos seres pautados para a criação, invenção; somos também seres pautados para a destruição; que somos seres pautados para a dependência bem como seres pautados para a atividade. Os produtos das criações humanas - obras culturais, simbólicas -, são seres frágeis. Uma pintura, uma escultura, uma obra arquitetônica, uma obra escritas quantas já foram destruídas, queimadas, transformadas em cinzas ou entulhos?! Mesmo as obras da natureza, seres vivos, vegetais ou animais, foram/são transformados em cinzas!
Em que nós, professores de nível superior, intelectuais, colaboramos para a destruição a partir da nossa produção intelectual, nossa pesquisa, nosso ensino? Quais são os efeitos das nossas produções intelectuais, das nossas posturas intelectuais? Dos nossos fazeres intelectuais? Nós, intelectuais somos seres de cultura. Estamos a lidar com o aspecto efêmero do ser humano, o mais invisível, mas também aquele voltado para a criação da cultura. Em primeiro lugar qualquer obra humana é manifestação das potencialidades vitais e criadoras dos seres humanos. Mas, nas academias, não são raros os momentos em que se jogam fora o produto de um pensador como se fosse algo totalmente desprezível, como se fosse fácil fazer uma obra cultural.Grosso modo, podemos dizer que a destruição de uma obra cultural, uma criação humana pode ser destruída de dois modos, queimando, quebrando ou deixando ela no limbo, fazendo com que ela própria, aos poucos, desapareça na poeira.Nós intelectuais, então, podemos incentivar com que os corpos humanos juvenis não percebam o que há de mais essencial de um ser humano, sua capacidade criadora. Podemos manipular seres humanos para serem meros consumidores, adeptos, incentivar apenas o gostar, o fanatismo, deixando obscuro que tudo é e sempre foi produtos humanos, criações do humano para o humano. Seres voltados para o consumo, para o gosto, para o fanatismo são seres voltados para a destruição inevitavelmente. Pois, se faltar a mercadoria......Se estas idéias possuem algum sentido e verdade(verdade, falei verdade, palavra tão menosprezada hoje em dia!) não deveríamos em primeiro lugar adorar o homem enquanto criador como se adora deus como criador? Essa não deveria ser uma primeira lei superior, a primeira lei do homem para o homem? Uma segunda não poderia ser, nenhum homem pode destruir o que foi criado, e criar sempre a partir de outras criaturas que foram criadas? É possível Michelangelo desaparecer, a obra de Freud desaparecer, qualquer obra desaparecer? Claro. Talvez seja esse o lado mais perverso do modo de produção do viver atual, que é também uma criação humana. Essa produção humana, que alguns chamam de capitalismo ou capitalístico, e que nós, intelectuais universitários aderimos, não se pautaria por esse esquecimento ou menosprezo do próprio homem, como se não fossem homens produzido para homens, como se sua força fosse de uma ordem supra-humana, a qual todos nós estaríamos submetidos? Seu primeiro feito ilusionista não é colocar os corpos humanos na ciranda trabalhista: trabalho, emprego, salário, consumo, trabalho, desemprego, miséria, fome, roubo, consumo, trabalho, emprego, alegria, consumo....ou seja neste nível mais baixo da potencialidade humana, seu nível sobrevivência animal faminto, dependente do patrão-dono? Qual sentido possui para um faminto a obra escrita de Freud, Platão, Maquiavel, Foucault, a pintura de Rembrandt, Picasso? Como convertê-las em comida. E não adianta dizer que foram criações e que revelam a maravilhosa potencialidade do ser humano! E daí? Mas nós, professores universitários, estamos colaborando para isso. Aos poucos entramos na ciranda trabalhista, finacista(uma mísera bolsa ou financiamento), na projeção pessoal, no assassinato de obras criados por outros humanos. Nada disso presta: Freud não presta, Nietzsche não presta, Marx não presta, Picasso não presta, Pollock não presta: queimemos então. Uma nova barbárie se aproxima?!
Em que nós, professores de nível superior, intelectuais, colaboramos para a destruição a partir da nossa produção intelectual, nossa pesquisa, nosso ensino? Quais são os efeitos das nossas produções intelectuais, das nossas posturas intelectuais? Dos nossos fazeres intelectuais? Nós, intelectuais somos seres de cultura. Estamos a lidar com o aspecto efêmero do ser humano, o mais invisível, mas também aquele voltado para a criação da cultura. Em primeiro lugar qualquer obra humana é manifestação das potencialidades vitais e criadoras dos seres humanos. Mas, nas academias, não são raros os momentos em que se jogam fora o produto de um pensador como se fosse algo totalmente desprezível, como se fosse fácil fazer uma obra cultural.Grosso modo, podemos dizer que a destruição de uma obra cultural, uma criação humana pode ser destruída de dois modos, queimando, quebrando ou deixando ela no limbo, fazendo com que ela própria, aos poucos, desapareça na poeira.Nós intelectuais, então, podemos incentivar com que os corpos humanos juvenis não percebam o que há de mais essencial de um ser humano, sua capacidade criadora. Podemos manipular seres humanos para serem meros consumidores, adeptos, incentivar apenas o gostar, o fanatismo, deixando obscuro que tudo é e sempre foi produtos humanos, criações do humano para o humano. Seres voltados para o consumo, para o gosto, para o fanatismo são seres voltados para a destruição inevitavelmente. Pois, se faltar a mercadoria......Se estas idéias possuem algum sentido e verdade(verdade, falei verdade, palavra tão menosprezada hoje em dia!) não deveríamos em primeiro lugar adorar o homem enquanto criador como se adora deus como criador? Essa não deveria ser uma primeira lei superior, a primeira lei do homem para o homem? Uma segunda não poderia ser, nenhum homem pode destruir o que foi criado, e criar sempre a partir de outras criaturas que foram criadas? É possível Michelangelo desaparecer, a obra de Freud desaparecer, qualquer obra desaparecer? Claro. Talvez seja esse o lado mais perverso do modo de produção do viver atual, que é também uma criação humana. Essa produção humana, que alguns chamam de capitalismo ou capitalístico, e que nós, intelectuais universitários aderimos, não se pautaria por esse esquecimento ou menosprezo do próprio homem, como se não fossem homens produzido para homens, como se sua força fosse de uma ordem supra-humana, a qual todos nós estaríamos submetidos? Seu primeiro feito ilusionista não é colocar os corpos humanos na ciranda trabalhista: trabalho, emprego, salário, consumo, trabalho, desemprego, miséria, fome, roubo, consumo, trabalho, emprego, alegria, consumo....ou seja neste nível mais baixo da potencialidade humana, seu nível sobrevivência animal faminto, dependente do patrão-dono? Qual sentido possui para um faminto a obra escrita de Freud, Platão, Maquiavel, Foucault, a pintura de Rembrandt, Picasso? Como convertê-las em comida. E não adianta dizer que foram criações e que revelam a maravilhosa potencialidade do ser humano! E daí? Mas nós, professores universitários, estamos colaborando para isso. Aos poucos entramos na ciranda trabalhista, finacista(uma mísera bolsa ou financiamento), na projeção pessoal, no assassinato de obras criados por outros humanos. Nada disso presta: Freud não presta, Nietzsche não presta, Marx não presta, Picasso não presta, Pollock não presta: queimemos então. Uma nova barbárie se aproxima?!
ABRINDO A CAIXA DE PANDORA
1. Colocarei uma questão não porque sei a resposta, mas exatamente por não tê-la. Eis: Até onde se pode politizar a inteligência? Podemos ainda afirmar que há níveis de inteligência? Parece que tá ficando politicamente incorreto falar dessas coisas. Parece que estamos entrando numa época em que todos querem ter as mesmas capacidades ou talvez não querem estabelecer hierarquias de poder em função do saber ou da inteligência. Claro que no campo das nadarias, isto é, das ciências humanas, parece que isto é possível. Mas no campo das ciências exatas, é? Se nossa ciência hoje se confunde com os avanços tecnológicos, com atualizações tecnológicas que supõem cálculos etc, parece não ser possível avançar sem esses conhecimentos de base. Mas, na psicologia, quais são nossos conhecimentos de base? Conhecimentos imprescindíveis a todos os psicólogos? Existe isso? Podemos dizer que existe em todos os psicólogos existentes no mundo, ou mesmo no Brasil, ou mesmo em Aracaju, conhecimentos básicos, uniformes? Quais seriam esses conhecimentos que são produtos dos estudos e pesquisas da Psicologia, produzidos pela Psicologia?
2. Devemos admitir que a sociedade ocidental atual necessita de um mínimo de inteligência dos corpos humanos? Os conhecimentos atuais não necessitam de determinadas capacidades intelectuais para serem produzidos? Sabemos hoje que todos os seres vivos são seres dotados de inteligência e que seus comportamentos inteligentes possuem sintonia fina com seus modos de vida, com as exigências de cada ambiente que lhes estão associados.
3. Sabemos que Michel Foucault reavivou o tema poder/saber, o que fez com que muita gente pensasse assim: não há saber dissociado de poder, logo é o poder quem define o saber, logo se tenho o poder de escolha eu escolho quem eu quiser. Será essa afirmação verdadeira? Ou melhor: quais efeitos produzem tal afirmação?
4. A pergunta realizada acima, até onde podemos politizar a inteligência, se coloca estritamente para os corpos humanos, seres vivos e considerados de maior inteligência entre os vivos. Mas sabemos que nos seres humanos outros fatores comandam suas condutas: amizade, afetividade, sociabilidade, poder. Sabemos que amizade, sociabilidade, afetividade e poder não produzem conhecimento senão atrelados à inteligência. Seus sentidos são de outras ordens. No contexto em que nos encontramos, século XXI, com toda uma história de conhecimentos produzidos pela inteligência, pelo pensamento, que fizeram avançar a própria inteligência e os conhecimentos (história interna de cada ciência), até onde organizações voltadas para o conhecimento, como as Universidades, podem escolher seus atores pela via que não seja das capacidades intelectuais e dos conhecimentos produzidos? Sendo psicólogo, coloco esta questão tendo este campo e a Universidade como campo de referência problematizante. Sabemos que a psicologia é um campo de saber disperso. Nele não há consenso. Há grupamentos, partidários de uma linha de pensamento e de atuação. Trata-se ainda de conhecimento? Estamos entrando na barbárie dos guetos, das amizades, inimizades, amigos e inimigos? Parece que estamos caminhando nesta direção.
2. Devemos admitir que a sociedade ocidental atual necessita de um mínimo de inteligência dos corpos humanos? Os conhecimentos atuais não necessitam de determinadas capacidades intelectuais para serem produzidos? Sabemos hoje que todos os seres vivos são seres dotados de inteligência e que seus comportamentos inteligentes possuem sintonia fina com seus modos de vida, com as exigências de cada ambiente que lhes estão associados.
3. Sabemos que Michel Foucault reavivou o tema poder/saber, o que fez com que muita gente pensasse assim: não há saber dissociado de poder, logo é o poder quem define o saber, logo se tenho o poder de escolha eu escolho quem eu quiser. Será essa afirmação verdadeira? Ou melhor: quais efeitos produzem tal afirmação?
4. A pergunta realizada acima, até onde podemos politizar a inteligência, se coloca estritamente para os corpos humanos, seres vivos e considerados de maior inteligência entre os vivos. Mas sabemos que nos seres humanos outros fatores comandam suas condutas: amizade, afetividade, sociabilidade, poder. Sabemos que amizade, sociabilidade, afetividade e poder não produzem conhecimento senão atrelados à inteligência. Seus sentidos são de outras ordens. No contexto em que nos encontramos, século XXI, com toda uma história de conhecimentos produzidos pela inteligência, pelo pensamento, que fizeram avançar a própria inteligência e os conhecimentos (história interna de cada ciência), até onde organizações voltadas para o conhecimento, como as Universidades, podem escolher seus atores pela via que não seja das capacidades intelectuais e dos conhecimentos produzidos? Sendo psicólogo, coloco esta questão tendo este campo e a Universidade como campo de referência problematizante. Sabemos que a psicologia é um campo de saber disperso. Nele não há consenso. Há grupamentos, partidários de uma linha de pensamento e de atuação. Trata-se ainda de conhecimento? Estamos entrando na barbárie dos guetos, das amizades, inimizades, amigos e inimigos? Parece que estamos caminhando nesta direção.
sábado, 4 de outubro de 2008
Outras palavras, outras vidas? Outras vidas, outras palavras?
Palavras, conceitos, modos de viver e estar. Redes palavras viver. Novas, podem nos fazer, nos levar? Não se trata mais de psico-logia, nem de comportamental-ismo ou cognitiv-ismo ou human-ismo, sociolog-ismo. Precisamos de novas palavras sem referência ao sujeito ou à sociedade. Ciência do atual. Ciência dos encontros, da imanência. Ciência do porvir. Encontro é inocência. Será isso possível, recuperar a força de cada corpo-molécula sem a memória-resentimento, sem o desejo-poder dominação? Já não sabemos que os problemas nascem quando se cria transcendentes ou transcendências, ou seja, quando se pretende estabelecer leis para todos ou para os outros, mesmo incluindo-se? Nossos problemas não são os outros quando não se adequam às nossas explorações/subjugações?
SOBRE FOUCAULT
Achamos que desde sua primeira obra, Doença mental e Psicologia( 1958 ), Michel Foucault nos coloca, já na introdução, na perspectiva genealógica. Diz ele: “Gostaria de mostrar que a raiz da patologia mental não deve ser procurada em uma 'metapatologia' qualquer mas numa certa relação, historicamente situada(grifo nosso), entre o homem e o homem louco e o homem verdadeiro.”[1] Na analítica genealógica problematizar adquire um sentido novo, diferente do da analítica filosófica. Segundo Foucault, problematizar “é o conjunto das práticas discursivas ou não discursivas que faz alguma coisa entrar no jogo do verdadeiro e do falso e a constitui como objeto para o pensamento (seja sob a forma de reflexão moral, do conhecimento científico, da análise política, etc).”[2] Ou ainda, “(...) são os efeitos de poder próprios a um discurso considerado científico que a genealogia deve combater...A reativação dos saberes locais - menores, diria talvez Deleuze - contra a hierarquização científica do conhecimento e seus efeitos intrínsecos de poder, eis o projeto destas genealogias desordenadas e fragmentárias.”[3] O genealogista busca a proveniência das coisas existentes, mostra que seu começo, sua constituição, se fez a partir de um estado de dispersão, como acontecimento de um encontro de forças. Ao olhar para o passado o que se encontra é a dispersão/multiplicidade empirista, é a pura exterioridade dos elementos em embate, antes de constituírem-se em órgãos, interioridades subjetivas ou exterioridades objetivas. Foucault, num texto de 1972, intitulado Nietzsche, a Genealogia e a história, escreve: “A pesquisa da proveniência não funda, muito pelo contrário: ela agita o que se percebia imóvel, ela fragmenta o que se pensava unido; ela mostra a heterogeneidade do que se imaginava em conformidade consigo mesmo. Que convicção lhe resistiria? Mais ainda, que saber?” [4] Dois fatores são fundamentais ao genealogista. Primeiramente, o genealogista incorpora o tempo nas coisas. A incorporação do tempo pode ser realizada de dois modos diferentes. O primeiro constitui a perspectiva evolutiva e faz com que o passado promova o presente e o torne possível. O segundo, genealógico, faz com que o presente se destaque do passado, conferindo-lhe um sentido e tornando-o inteligível. Em segundo lugar, ele afirma que a emergência de algo é um efeito, um acontecimento, proveniente de um campo de forças. Assim, por exemplo, se as psicologias nos mostram as formas de aparecimento dos distúrbios mentais, só o genealogista pode nos mostrar as condições do seu surgimento. Em Doença mental..., Foucault nos diz que nem a evolução orgânica, nem a história psicológica ou a situação do homem no mundo, cara aos fenomenólogos, revelam estas condições. “Sem dúvida, é nelas que a doença se manifesta, é nelas que se revelam suas modalidades, sua formas de expressão, seus estilos. Mas é noutra parte que o desvio patológico tem, como tal, suas raízes.”[5] Assim, a patologia mental só encontra seu sentido no interior de uma dada cultura. "A doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma cultura que a reconhece como tal."[6] Um exemplo claro do adestramento do homem para transformar os corpos em força ativa é o que mostra Foucault com respeito a moral grega. Diz ele que “na moral antiga, o domínio de si só é um problema para o indivíduo que deve ser senhor dele e senhor dos outros e não para o que deve obedecer aos outros."[7] Já a moral cristã é uma moral feita para todos aqueles que devem obedecer, e é neste sentido que ela é uma moral do escravo, do homem reativo, segundo Nietzsche. O que caracteriza a atualidade é a minimilização dos contatos de fazeres, isto é, os corpos se tornaram demasiados discursivos. Entendemos que Foucault mudou o estatuto dos discursos exatamente por isso. Ele fez com que os discursos deixassem de significar, o que demandavam uma hermenêutica eterna, para adquirir uma potência pragmática. Ele fez com que o discurso deixasse de se remeter para uma interioridade significativa para se posicionarem numa pura exterioridade, um dado entre outros. Esse dado hoje, ou seja, o discurso, está adquirindo funções muito interessantes. A principal delas é o de ser vazio. Os discursos, cada vez mais perdem sua importância enquanto veículo de conhecimento.
No entanto, a exterioridade do discurso pode levar também a reapropriações, conforme a força que dela se apodera. Os reativos vão tomar a linguagem para adquirir poder ou eliminar poderes: brigas no interior das sociedades oficiais dos saberes. Os ativos, irão se apoderar dela para criar, inventar novas formas de vida. Se tudo é exterior, melhor falar de fora. Se alguém acha algo estranho, essa estranheza é apenas um embate da sua memória, já formalizada, tornada hábito, com o que advém.
[1]Michel Foucault, Doença mental e psicologia. p. 8
[2] Michel Foucault, O cuidado com a verdade, entrevista com François Ewald, Le Magazin, in Dossier Michel Foucault, Rio de Janeiro, Ed. Taurus, 1984.
[3] Foucault, Michel - Microfísica do poder. Trad. Roberto Machado. Rio de janeiro, Ed. Graal, 1979. pp. 171/2
[4]Idem, Nietzsche, a gnealogia e a história; in Microfísica do poder. p. 21
[5]Idem, Doença mental .. p. 71
[6]Idem, Ibdem, p. 71
[7] Idem, ibdem, p.80
No entanto, a exterioridade do discurso pode levar também a reapropriações, conforme a força que dela se apodera. Os reativos vão tomar a linguagem para adquirir poder ou eliminar poderes: brigas no interior das sociedades oficiais dos saberes. Os ativos, irão se apoderar dela para criar, inventar novas formas de vida. Se tudo é exterior, melhor falar de fora. Se alguém acha algo estranho, essa estranheza é apenas um embate da sua memória, já formalizada, tornada hábito, com o que advém.
[1]Michel Foucault, Doença mental e psicologia. p. 8
[2] Michel Foucault, O cuidado com a verdade, entrevista com François Ewald, Le Magazin, in Dossier Michel Foucault, Rio de Janeiro, Ed. Taurus, 1984.
[3] Foucault, Michel - Microfísica do poder. Trad. Roberto Machado. Rio de janeiro, Ed. Graal, 1979. pp. 171/2
[4]Idem, Nietzsche, a gnealogia e a história; in Microfísica do poder. p. 21
[5]Idem, Doença mental .. p. 71
[6]Idem, Ibdem, p. 71
[7] Idem, ibdem, p.80
PONDO SOBRE O QUE É UM PROBLEMA E A CRÍTICA
Deleuze já nos disse: diante de um pensador podemos ter duas atitudes críticas. A primeira diz: "as coisas não são assim. São assim." É a crítica das soluções. Ela parte do que diz o filósofo e confunde o dito como se "fosse o que ele faz e quer" (p.117) Esta crítica se coloca nas intenções do filósofo. A segunda crítica se coloca na questão do filósofo, e "criticar a questão significa mostrar em que condições ela é possível e se está bem colocada, quer dizer, como as coisas seriam o que são se não fosse esta a questão."(p.117) "Neste caso não se trata de saber se as coisas são assim ou que não o são; trata-se de saber se é ou não boa, se é rigorosa ou não, é o problema que as fazem assim." Hume, por exemplo, coloca a questão do sujeito e o situa nos seguintes termos: o sujeito se constitui no dado. Apresenta as condições de possibilidade, a crítica da questão, desta forma: as relações são exteriores aos termos. O atomismo e o associacionismo são consequências dessa questão. Se se quer objetar é necessário objetar a questão e mais nada. A questão do estruturalismo é: o sujeito se constitui na estrutura. Essa estrutura é abstrata, impõe uma forma, mas não os conteúdos. Os conteúdos são impostos pelas circunstâncias de vida. A estrutura , apesar de subtendida, se estruturaliza em cada indivíduo. É necessário que em cada indivíduo a estrutura se realize. É esta realização da estrutura que cria os diversos sintomas, as diversas personalidades. A estrutura não elimina o novo, a invenção. Ela apenas elimina a desordem no sujeito, isto é, a impossibilidade de se viver em sociedade sem um mínimo de ordem. O mínimo da ordem é a ordem triádica. Dai o Édipo revisitado em Lacan. Numa visão fenomenológica supõem-se que haja uma experiência da loucura e que o historiador a revelaria. Parte-se de uma experiência para revelar outras experiências. Naturalizaríamos a loucura. Parte-se do objeto presente. Toma-se partido do louco e não dos cuidadores e sabedores da loucura. Ou melhor, os cuidadores da loucura se identificam com estes, e vê a loucura como uma possibilidade humana. Substitui-se a natureza da razão que conhece, que quer conhecer, pela natureza da loucura. Substitui-se a explicação pela compreensão. Deste modo, naturalizam a loucura. O fenomenólogo estabelece uma natureza humana. Agora, se se parte do pensamento, o que se tem é que a loucura é uma experiência do pensamento, não no sentido que há uma loucura no pensamento ou que o pensamento pode se tornar louco. Mas que a loucura é simplesmente algo pensada. Daí Deleuze submeter a experiência da loucura a experiência do pensamento. É o pensamento que pensa a loucura. Não fosse isso naturalizaríamos não mais a loucura mas o próprio pensamento. Sabemos que o pensamento é um acontecimento, um devir. Há uma espécie de ciclo vicioso, de eterno retorno, dessas duas pontas: pensamento como natureza naturalizada que pensa o mundo, e o mundo, no qual e para o qual o pensamento emerge. O mais fluido e o mais duro se encontram. O finito e o infinito. O pensamento e as coisas. Corremos o risco de ser pretensioso; de extrapolarmos os limites do senso comum. E quando se trata do pensamento, também neste temos nossos bons sensos. Quando lemos os filósofos, o normal é lê-los do exterior. Comentamos seus achados, suas chegadas. No entanto, é possível perguntar como ele chegou a elaborar suas idéias. Isto é, como ele elaborou seu pensamento. Nosso desafio hoje é trilhar esse duplo movimento: primeiro, o trabalho acadêmico se pauta pela exterioridade. Falamos e escrevemos sobre os outros. Por outro lado, o trabalho de pensamento se faz no proximal, a partir de si. É essa situação paradoxal que se coloca neste momento. Qual momento? Não me pergunte. O homem, no entanto, pode ser chupado por muitas forças. O prazer, por exemplo, (biologia) ou então a autoridade, no sentido do mandar/obedecer (poder, no qual a economia é apenas uma parte); ou ainda ser chupado para o significado, para o entendimento (a linguagem escrita e o conhecimento). Essas forças, não podemos menosprezá-las, são tão fortes que muitas vezes alguns pensadores a transformaram e transformam em princípios explicativos da natureza humana. Podemos dizer que todos os princípios estipulados por alguém, este o sentiu fortemente. Assim, em Freud, a sexualidade. Ele a viveu de maneira aterradora. O prazer é um desafio, uma natureza desafiante, e não um solo explicativo para o pensamento. A sexualidade é uma força que conduz o corpo a fechar-se, auto-erotismo, excluindo ou usando o outro. Foi isso que Freud percebeu?. Daí ele o ter colocado em oposição ao principio de realidade, este sendo o reconhecimento do outro enquanto outro?. O outro é o máximo que se consegue para continuar existindo uma sociedade, uma cultura, algo comunicado, referenciado (mesmo que aí o entendimento não tenha lá tanta importância). No entanto, jamais sabemos do outro. Descarte o disse muito bem. Só pensamos à partir de nós mesmos. Essa é a revolução cartesiana. Penso. O outro e o mundo só o recuperamos no e pelo pensamento. A intencionalidade não resolveu o problema. E é aqui que se coloca o como se estabelece as relações, os contatos, os vínculos. Todos os contatos são problemáticos para os humanos, exatamente porque ele pensa. Portanto se se quiser viver numa relação, é bom não pensá-la. Todos esses problemas povoam a clínica e não é à toa. A clínica ouve e ver as patologias desse paradoxo. Há sempre a necessidade de falar e saber sobre, e do outro. É isso mesmo a essência das ciências do homem. Às vezes, veladamente, essa arrogância de dizer do outro mais do que o outro diria se passa assim: "foi isso o que ele quis dizer"..." não foi isso que ele quis dizer.." "na verdade, ele disse isso , e não isso..." Marx dizia que não se reconhecia no que diziam que ele tinha dito: não sou marxista. Da mesma forma, muita gente. Lacan não se orgulhava de ter dito de Freud melhor que o próprio Freud ?. Tudo isso, ao nosso ver, são apenas estratégias de poder que a cultura ocidental inventou por dentro das universidades. Um modo de passar o poder pelo saber. Pois dizer o que o outro pensa não é despojá-lo de todo poder de decisão. Boa estratégia de dominação! Pensar não é saber sobre o outro. Talvez seja despojar-se do desejo de dominação. Isso é possível?
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Coletivos visíveis, coletivos invisíveis
Estamos sempre no coletivo. Talvez seja necessário distinguir coletivos visíveis e coletivos invisíveis. O primeiro exige a participação do corpo presente, roda de convivência, de sociabilidade. Nos coletivos invisíveis não é necessário a presença do corpo dos componentes. Há ainda muitos equívocos no que diz respeito às lutas sociais, às transformações sociais. As pessoas ainda se guiam muito pela presença física para reconhecer os companheiros, que há participação ou colaboração. É um grande equívoco. Vemos hoje cada vez mais pessoas participarem de movimentos, mesmo em nome da transformação social, para se projetarem e afirmarem quase sempre uma política conservadora, de medo. Trata-se de um novo gregarismo?. Ocupar os espaços, como se dizia não faz muito tempo, para barrar os movimentos, para passar mesquinhas competições, para gerar afectos paralisantes. É preciso então tomarmos cuidado. Estamos vendo isso acontecer com as apropriações do pensamento de Nietzsche, Foucault, Deleuze e Guattari. Estes são os caras da vez. Vários eventos estão sendo realizados em seus nomes, com seus nomes. No entanto, através dos seus nomes, muitas vezes vemos passar um código moral, um modo de existência que não era o que eles ao longo da sua trajetória fez e dizia ser o que interessava. Na realidade, novos grupelhamentos microfascistas!?
O plano dos coletivos invisíveis necessariamente pressupõe a solidão. Deleuze já dizia que toda solidão é povoada, toda solidão é coletiva. Mas a solidão povoada na elimina a solidão. É do coletivo invisível a não presença corporal, o fazer em outras direções. Há várias maneiras de bloquear os movimentos. Uma das principais são as produções que exigem o deslocamento dos corpos. O modo de produção capitalístico é a grande máquina produtora desse esquema sensório-motor. O trabalhador deve se deslocar. Seu tempo é tomado por fazeres outros. Ação e reação. Vivenciamos isso hoje na academia, com a exigência de presença em reuniões, em apresentar trabalhos em eventos ditos científicos. Aparentemente os corpos pavoneiam, se movimentam em muitas direções. Com isso não há tempo para produzir outros movimentos. O máximo que se pode fazer em outra direção é no tempo de férias, deslocar-se para paraísos pré-fabricados. No entanto, há pouco movimento, criação. Os eventos acadêmicos, para pegarmos termos de Deleuze, são esquemas sensório-motores; o personagem percebe, é forçado a agir, sente, reage, atua. Deste modo, espanta os devires, espanta outras temporalidades, espanta o tempo. Os eventos sociais tornaram-se espaços de sociabilidade, frequentemente ocupados por grupelhos inimigos, mas que é preciso ser polido: conviver com as diferenças. Grupelhos que se suportam. Nada disso seria triste se lá não estivessem sujeitos que se querem criadores. A pós-graduação não tá se tornando uma camisa de força contemporânea do pensamento?. Tendo como pano de fundo as projeções midiáticas os corpos querem aparecer, se vender ou vender suas mercadorias.
Talvez seja necessário pensarmos nos coletivos invisíveis.
- Mas como, você ta denegrindo a classe dos acadêmicos? Dos pesquisadores? Com que direito? Você se considera melhor que os outros? Se considera um criador?
Talvez seja necessário pensarmos na solidão como resistência. Uma cultura do silêncio, dos movimentos silenciosos, pois é em silêncio que as sociedades, as pessoas, vão se desintegrando, as culturas se destruindo.
O plano dos coletivos invisíveis necessariamente pressupõe a solidão. Deleuze já dizia que toda solidão é povoada, toda solidão é coletiva. Mas a solidão povoada na elimina a solidão. É do coletivo invisível a não presença corporal, o fazer em outras direções. Há várias maneiras de bloquear os movimentos. Uma das principais são as produções que exigem o deslocamento dos corpos. O modo de produção capitalístico é a grande máquina produtora desse esquema sensório-motor. O trabalhador deve se deslocar. Seu tempo é tomado por fazeres outros. Ação e reação. Vivenciamos isso hoje na academia, com a exigência de presença em reuniões, em apresentar trabalhos em eventos ditos científicos. Aparentemente os corpos pavoneiam, se movimentam em muitas direções. Com isso não há tempo para produzir outros movimentos. O máximo que se pode fazer em outra direção é no tempo de férias, deslocar-se para paraísos pré-fabricados. No entanto, há pouco movimento, criação. Os eventos acadêmicos, para pegarmos termos de Deleuze, são esquemas sensório-motores; o personagem percebe, é forçado a agir, sente, reage, atua. Deste modo, espanta os devires, espanta outras temporalidades, espanta o tempo. Os eventos sociais tornaram-se espaços de sociabilidade, frequentemente ocupados por grupelhos inimigos, mas que é preciso ser polido: conviver com as diferenças. Grupelhos que se suportam. Nada disso seria triste se lá não estivessem sujeitos que se querem criadores. A pós-graduação não tá se tornando uma camisa de força contemporânea do pensamento?. Tendo como pano de fundo as projeções midiáticas os corpos querem aparecer, se vender ou vender suas mercadorias.
Talvez seja necessário pensarmos nos coletivos invisíveis.
- Mas como, você ta denegrindo a classe dos acadêmicos? Dos pesquisadores? Com que direito? Você se considera melhor que os outros? Se considera um criador?
Talvez seja necessário pensarmos na solidão como resistência. Uma cultura do silêncio, dos movimentos silenciosos, pois é em silêncio que as sociedades, as pessoas, vão se desintegrando, as culturas se destruindo.
nietzschianas 2
Quero trazer para você apenas uma questão, uma questão simples que acredito tratar-se de uma das mais pertinentes para os dias de hoje. Como não poderia deixar de ser essa questão advém de Nietzsche. Para irmos direto a ela, trata-se da relação (se é que podemos falar em relação) do pensamento com a vida, do pensamento com a existência.
Deleuze em uma entrevista à Claire Parnet, em 1986, ao falar de Foucault diz: “Desde que se pensa, se enfrenta necessariamente uma linha onde estão em jogo a vida e a morte, a razão e a loucura, e essa linha nos arrasta”. (Conversações p.129).
Ou então o próprio Foucault nas Palavras e as Coisas. Ele nos diz: “O pensamento moderno nunca pôde, a bem dizer, propor uma moral: mas a razão disso não reside em ser ele pura especulação; muito pelo contrário, ele é, logo de entrada, e na sua própria espessura, um certo modo de ação. Para o pensamento moderno não há moral possível porque, desde o século XIX o pensamento já ‘saiu’ de si, do seu ser próprio, já não é teoria; desde que pensa, o pensamento fere ou reconcilia, aproxima ou afasta; não pode coibir-se de libertar e de subjugar. Antes mesmo de prescrever, de esboçar um futuro, de dizer o que cumpre fazer, antes mesmo de exortar ou apenas de alertar, o pensamento, ao nível da sua existência, desde a sua forma mais matinal, é em si uma ação – um acto perigoso.”p.427.PC Nietzsche, assim como Sade, Artaud e Bataille, conclui Foucault, o souberam muito bem.
É neste ponto que pretendemos nos deter. Como pensar este pensamento que de entrada é navalha ou afago, fogo ou brisa nordestina? Ou antes, quê pensamento é este?
Podemos então nos perguntar como conciliar estes dois movimentos antagônicos, de busca das origens, movimento em direção ao passado, e de um pensamento que, de entrada, é ação, produção de presente?
Como suportar e articular este duplo investimento: por um lado, do conhecer - que é sempre sobre algo distanciado – e do agir – que se encontra sempre na imanência da própria vida?
Tratar-se-ia de dois tipos de pensamento em um só pensador? Será isto possível?
Sabemos que as últimas pesquisas de Michel Foucault, bem como de Gilles Deleuze, circularam em torno dos problemas dos processos de subjetivação e de modos de existências.
Como pensar estas questões sem que o desassossego nos leve ao desespero? Como pensar essas questões como experiências do pensamento?
Sabemos que o conhecimento tornou-se nosso tesouro
A nosso ver, a importância em voltar o olhar para o passado não se encontra na veracidade dos fatos lá encontrados, mas no diferencial das diversas formas constituídas. É Nietzsche que nos diz logo no início na Genealogia da Moral: “Por fortuna logo aprendi a separar o preconceito teológico do moral, e não mais busquei a origem do mal por trás do mundo. Alguma educação histórica e filológica, juntamente com um inato senso seletivo em questões psicológicas, em breve transformou meu problema em outro: sob que condições o homem inventou para si os juízos de valor“bom”e “mau”? e que valor têm eles?”
Evidentemente que ao colocar questões como estas Nietzsche se coloca como homem do conhecimento.
A vontade de conhecimento, a busca da verdade, empreendida no Ocidente pelos grego, instituindo os parâmetros da civilização e da barbárie ocidental teve em Nietzsche o seu ponto de retorno, mordeu sua própria cauda. Ao mesmo tempo em que se debruça sobre o passado não consegue dissocia-lo de um ato do presente. Desde O Nascimento da Tragédia o pensamento que busca a verdade surge como sendo apenas um tipo de pensamento, representado pelo deus Apolo. Mas por detrás de Apolo, Dioniso dança e pensa de outro modo.
Se tudo se encontra no solo da história, se tudo é invenção, torção, força instituinte, cabe saber como se institui.
Como suportar e articular este duplo investimento: por um lado, do conhecer - que é sempre sobre algo distanciado – e do agir - na imanência da própria vida?
Deleuze em uma entrevista à Claire Parnet, em 1986, ao falar de Foucault diz: “Desde que se pensa, se enfrenta necessariamente uma linha onde estão em jogo a vida e a morte, a razão e a loucura, e essa linha nos arrasta”. (Conversações p.129).
Ou então o próprio Foucault nas Palavras e as Coisas. Ele nos diz: “O pensamento moderno nunca pôde, a bem dizer, propor uma moral: mas a razão disso não reside em ser ele pura especulação; muito pelo contrário, ele é, logo de entrada, e na sua própria espessura, um certo modo de ação. Para o pensamento moderno não há moral possível porque, desde o século XIX o pensamento já ‘saiu’ de si, do seu ser próprio, já não é teoria; desde que pensa, o pensamento fere ou reconcilia, aproxima ou afasta; não pode coibir-se de libertar e de subjugar. Antes mesmo de prescrever, de esboçar um futuro, de dizer o que cumpre fazer, antes mesmo de exortar ou apenas de alertar, o pensamento, ao nível da sua existência, desde a sua forma mais matinal, é em si uma ação – um acto perigoso.”p.427.PC Nietzsche, assim como Sade, Artaud e Bataille, conclui Foucault, o souberam muito bem.
É neste ponto que pretendemos nos deter. Como pensar este pensamento que de entrada é navalha ou afago, fogo ou brisa nordestina? Ou antes, quê pensamento é este?
Podemos então nos perguntar como conciliar estes dois movimentos antagônicos, de busca das origens, movimento em direção ao passado, e de um pensamento que, de entrada, é ação, produção de presente?
Como suportar e articular este duplo investimento: por um lado, do conhecer - que é sempre sobre algo distanciado – e do agir – que se encontra sempre na imanência da própria vida?
Tratar-se-ia de dois tipos de pensamento em um só pensador? Será isto possível?
Sabemos que as últimas pesquisas de Michel Foucault, bem como de Gilles Deleuze, circularam em torno dos problemas dos processos de subjetivação e de modos de existências.
Como pensar estas questões sem que o desassossego nos leve ao desespero? Como pensar essas questões como experiências do pensamento?
Sabemos que o conhecimento tornou-se nosso tesouro
A nosso ver, a importância em voltar o olhar para o passado não se encontra na veracidade dos fatos lá encontrados, mas no diferencial das diversas formas constituídas. É Nietzsche que nos diz logo no início na Genealogia da Moral: “Por fortuna logo aprendi a separar o preconceito teológico do moral, e não mais busquei a origem do mal por trás do mundo. Alguma educação histórica e filológica, juntamente com um inato senso seletivo em questões psicológicas, em breve transformou meu problema em outro: sob que condições o homem inventou para si os juízos de valor“bom”e “mau”? e que valor têm eles?”
Evidentemente que ao colocar questões como estas Nietzsche se coloca como homem do conhecimento.
A vontade de conhecimento, a busca da verdade, empreendida no Ocidente pelos grego, instituindo os parâmetros da civilização e da barbárie ocidental teve em Nietzsche o seu ponto de retorno, mordeu sua própria cauda. Ao mesmo tempo em que se debruça sobre o passado não consegue dissocia-lo de um ato do presente. Desde O Nascimento da Tragédia o pensamento que busca a verdade surge como sendo apenas um tipo de pensamento, representado pelo deus Apolo. Mas por detrás de Apolo, Dioniso dança e pensa de outro modo.
Se tudo se encontra no solo da história, se tudo é invenção, torção, força instituinte, cabe saber como se institui.
Como suportar e articular este duplo investimento: por um lado, do conhecer - que é sempre sobre algo distanciado – e do agir - na imanência da própria vida?
nietzschianas: Autopoieses e eterno retorno
Questão: o eterno retorno dos animais em Nietzsche representa uma visão biológica do filósofo alemão? Não creio.
Como diz Paul Veyne em um artigo sobre Michel Foucault, o leão não sabe que não sabe. Age conforme seus atributos. Essas idéias são as mesma em Nietzsche. Daí seu carinho pelos animais. Daí o animal saber, segundo Nietzsche, o que é o eterno retorno. Sabemos que o conceito de eterno retorno significa "agir conforme se é". Ora, os animais não sabem que não sabem, enquanto que o homem, após Sócrates, pensa que sabe que sabe, já que reflete. É esse distanciamento, essa dobra do sujeito sobre si (na verdade é a emergência histórica do sujeito) que, segundo Nietzsche, foi a maior mentira da história do cosmos: possuir uma consciência teórica, distanciada da vida, crítica da vida: "um dia, homens inteligente inventaram o conhecimento....".
Quando o homem chega a agir como um animal, institivamente, sem saber que não sabe, este novo homem, não seria o super-homem? No entanto, esse retorno ao institivo, amor fati, não seria um retorno a uma nova forma de animalidade, uma animalidade superior? Tal forma de animalidade não seria a construtora de novos valores, de novas formas de existência? Ela não seria afirmação de uma nova maneira de ser, um novo sentido de existência? Esse eterno retorno não seria a autopoieses de Maturana e Varela?
Como diz Paul Veyne em um artigo sobre Michel Foucault, o leão não sabe que não sabe. Age conforme seus atributos. Essas idéias são as mesma em Nietzsche. Daí seu carinho pelos animais. Daí o animal saber, segundo Nietzsche, o que é o eterno retorno. Sabemos que o conceito de eterno retorno significa "agir conforme se é". Ora, os animais não sabem que não sabem, enquanto que o homem, após Sócrates, pensa que sabe que sabe, já que reflete. É esse distanciamento, essa dobra do sujeito sobre si (na verdade é a emergência histórica do sujeito) que, segundo Nietzsche, foi a maior mentira da história do cosmos: possuir uma consciência teórica, distanciada da vida, crítica da vida: "um dia, homens inteligente inventaram o conhecimento....".
Quando o homem chega a agir como um animal, institivamente, sem saber que não sabe, este novo homem, não seria o super-homem? No entanto, esse retorno ao institivo, amor fati, não seria um retorno a uma nova forma de animalidade, uma animalidade superior? Tal forma de animalidade não seria a construtora de novos valores, de novas formas de existência? Ela não seria afirmação de uma nova maneira de ser, um novo sentido de existência? Esse eterno retorno não seria a autopoieses de Maturana e Varela?
Considerações nietzschianas
O que é uma filosofia dos valores, uma filosofia que se coloca para além do bem e do mal? O que é se colocar para além do bem e do mal? O que significa extra-moral? Zaratustra é um belo livro, mas também um homem quase santo. Ele ama os homens. Ele quer falar aos homens? O que ele quer falar aos homens? Que Deus morreu? Que o homem enfim pode ser um ser superior? Certamente. Mas ninguém o escuta. Sobra-lhe apenas um defunto. Por que Nietzsche se posiciona contra Darwin? Por que ele se posiciona contra a lei do mais forte? Por que Nietzsche, considerado um filósofo do poder, da guerra, se coloca contra Darwin? Não seria para eles se afinarem? Se Nietzsche não afirma as idéias de Darwin é simplesmente porque não concorda com elas e não concordar com elas é não concordar com a máxima da lei da sobrevivência dos mais fortes. É preciso proteger os mais fortes contra os mais fracos, disse Nietzsche. Por que?
Tais questões são deveras questões delicadas, complicadas, pois exigem talvez a arte da delicadeza, da sutileza, para percorrer seus balizamentos, suas aporias, para esquivar-se das inúmeras armadilhas: do santo, do sacerdote, do político, do bufão, do marginal, do louco.Há valores superiores? Nutrir um sentimento de ódio por alguém é superior a nutrir um sentimento de amor? Ou é o contrario? Nutrir um sentimento de amor é superior a um de ódio? Não serão ódio e amor sentimentos de aprisionados? Aprisionados no/pelo outro? Não existiria um para além do amor e ódio? Por que Nietzsche afirma que há ódio, muito ódio, no amor judaico/cristão? Trata-se segundo ele de um amor do lobo pelo cordeiro: quanto mais tenro, quanto mais mutilado, mais apetitoso, melhor. Não estaria aqui um dos mais nobre e mais belo segredos de Nietzsche, como o diz Deleuze, quando ele dá à irresponsabilidade seu sentido positivo? “Eu quis conquistar o sentimento de uma total irresponsabilidade, tornar-me independente dos elogios e da reprovação, do presente e do passado.[1] ” Mas apesar de tudo, Nietzsche nutre um grande sentimento de amor pela humanidade. Seria amor de águia, de lobo? Certamente que não. O amor, certamente é superior ao ódio. Este jamais deixa de ser uma reação, uma vingança. Não há criação com o ódio.
[1] Vontade de Potência, III, 383 3 465, Apud Deleuze, Nietzsche e a filosofia, p. 17.
Tais questões são deveras questões delicadas, complicadas, pois exigem talvez a arte da delicadeza, da sutileza, para percorrer seus balizamentos, suas aporias, para esquivar-se das inúmeras armadilhas: do santo, do sacerdote, do político, do bufão, do marginal, do louco.Há valores superiores? Nutrir um sentimento de ódio por alguém é superior a nutrir um sentimento de amor? Ou é o contrario? Nutrir um sentimento de amor é superior a um de ódio? Não serão ódio e amor sentimentos de aprisionados? Aprisionados no/pelo outro? Não existiria um para além do amor e ódio? Por que Nietzsche afirma que há ódio, muito ódio, no amor judaico/cristão? Trata-se segundo ele de um amor do lobo pelo cordeiro: quanto mais tenro, quanto mais mutilado, mais apetitoso, melhor. Não estaria aqui um dos mais nobre e mais belo segredos de Nietzsche, como o diz Deleuze, quando ele dá à irresponsabilidade seu sentido positivo? “Eu quis conquistar o sentimento de uma total irresponsabilidade, tornar-me independente dos elogios e da reprovação, do presente e do passado.[1] ” Mas apesar de tudo, Nietzsche nutre um grande sentimento de amor pela humanidade. Seria amor de águia, de lobo? Certamente que não. O amor, certamente é superior ao ódio. Este jamais deixa de ser uma reação, uma vingança. Não há criação com o ódio.
[1] Vontade de Potência, III, 383 3 465, Apud Deleuze, Nietzsche e a filosofia, p. 17.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Sobre a transdisciplinaridade
Caracterizamos nosso grupo de pesquisa como transdisciplinar. Para que não fiquemos somente na moda do nome, cabe aqui esclarecer o que entendemos por tal termo. Para tal, realizaremos um diálogo com a perspectiva de Basarab Nicolescu por considerá-la muito significativa e esclarecedora.
Segundo Basarab Nicolescu, uma Disciplina trata de um objeto específico de conhecimento. Já na Pluridisciplinaridade um objeto de pesquisa é estudado por várias disciplinas ou enfoques, ao mesmo tempo. A Interdisciplinaridade diz respeito a transferência de métodos ( e não de objeto) de uma disciplina à outra. Neste caso, ele distingue três graus de interdisciplinaridade: a) um grau de aplicação: quando um método de uma disciplina (física nuclear) é transferido para outra (medicina), produzindo novos efeitos(medicina nuclear); b) um grau epistemológico: quando um método de lógica formal é transferido para a área de Direito, gerando novas análises epistemológicas do Direito; c) um grau de geração de novas disciplinas: quando métodos matemáticos foram transferidos para a física geraram a física matemática. Por fim, a Transdisciplinaridade diz respeito ao que está, ao mesmo tempo, entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de todas as disciplinas. Seu objetivo é a Compreensão do mundo presente, e um dos imperativos para isso é a unidade do conhecimento.
É evidente que desde a Grécia antiga o Ocidente foi constituindo campos específicos de conhecimento, tais como a filosofia, a física, a matemática, a lógica. Mas foi somente após o século XVII que houve uma melhor e maior demarcação e especialização dos campos científicos com a introdução do método experimental. Apesar de a natureza ser aparentemente una, o espírito científico moderno revelou uma multiplicidade de objetos de pesquisas, cada qual pertencendo a um mundo particular, exigindo uma metodologia específica de pesquisa, com resultados e aplicações também particulares. Essa perspectiva científica é hoje criticada dizendo-se que a ciência fragmentou a unidade, isto é, se vivemos em uma única realidade, se o universo é uno então falta integrar os saberes que se encontram dispersos. Tal é a perspectiva do pensamento holístico e o de Nicolescu.
Esta perspectiva, que muitos intitulam novo paradigma, supõe que os saberes são fragmentos de um único todo. Ela postula que é exatamente por ter desconsiderado que os saberes são partes de um único sistema que a terra-humanidade corre perigo, denunciando assim o esgotamento da perspectiva especialista fragmentária.
Não sendo possível descartar os saberes instituídos, concebe-se então a realidade como sendo composta por níveis. É assim que Nicolescu define uma Disciplina. Diz ele “A pesquisa disciplinar diz respeito, na melhor das hipóteses, a um único e mesmo nível de Realidade; além do mais, na maioria dos casos, refere-se a apenas um fragmento de um nível de Realidade.” É pensando assim que ele também define a Transdisciplinaridade como sendo “a dinâmica engendrada pela ação de diferentes níveis de Realidade ao mesmo tempo.” É evidente que o objetivo do autor é preencher as lacunas existentes entre os níveis e, neste caso, o estudo transdisciplinar complementaria o disciplinar. Esta lacuna entre níveis é o que ele denomina vácuo. Diz ele: “Na presença de vários níveis de Realidade, o espaço entre as disciplinas e além das disciplinas está cheio, assim como o vácuo quântico está cheio de possibilidades: da partícula quântica às galáxias, do quark aos elementos pesados, que condicionam o aparecimento da vida no universo. A estrutura descontínua dos níveis de Realidade determina a estrutura descontínua do espaço transdisciplinar, que por sua vez explica por que a pesquisa transdisciplinar é radicalmente distinta da pesquisa disciplinar, mesmo quando totalmente complementar.” É pensando assim que Nicolescu diz que o objetivo da pesquisa transdisciplinar é a compreensão do mundo presente. É neste sentido que a perspectiva de Nicolescu é holista.
Não considerando tal perspectiva como errada, pois tal conceito já foi há muito descartado do espírito científico, definimos a Transdisciplinaridade adotando uma postura teórica diferente. O ponto de partida é o mesmo, isto é, os diferentes “níveis” ou objetos de estudos das diversas disciplinas instituídas. Só que não se postula um todo por detrás das partes, o que não quer dizer que não haja todos e partes, e que vários problemas que hoje a humanidade se depara têm como causa esta fragmentação. Mas podemos pensar também na existência de objetos de pesquisa que se caracterizam por possuir uma natureza que transversaliza os campos disciplinares existentes. Tal seria, por exemplo, o campo da subjetividade. E não é o caso dizer que a neurologia, a biologia, a sociologia, a etnologia, a psicologia, podem fornecer elementos-partes que integrariam o todo. O que queremos afirmar é que a história homem-natureza pode fazer emergir novos objetos na natureza. A natureza neste caso não estaria desde sempre dada e completa, cabendo ao homem estudá-la separadamente é depois integrá-la. A natureza não nasce acabada. Dela e nela emerge novos seres, novos objetos, em conformidade com a história humana.
Na perspectiva transdisciplinar holista há uma visão relativista da natureza e, como sabemos, esta se sustenta na separação homem-natureza, separação inerente ao paradigma da ciência moderna. Queremos afirmar que não há necessidade de afirmarmos um todo, uma unidade metafísica transcendente, para enfrentarmos os problemas humanos deste final de século. Ë evidente que precisamos de uma visão para enfrentar os problemas, uma visão que integre os diferentes níveis de conhecimentos existentes, isto é, que levem em consideração os estudos pluri, inter e disciplinares. No entanto, devemos nos precaver dos exageros, ou melhor, desta característica do pensamento messiânico: de uma parte generalizar-se o todo, de uma idéia se transformar nA Idéia.
No nosso modo de pensar, a Transdisciplinaridade é um modo de pensar que possui objetos específicos de pesquisa. Talvez não seja abuso dizer que, paradoxalmente, trata-se de uma nova Disciplina. Ela não visaria integrar mas pesquisar objetos sem fronteiras, e é neste sentido que ela inclui a lógica do Terceiro Termo Incluso, a teoria da Complexidade e a teoria da Multiplicidade.
Sendo assim, concordamos em dois ponto com Nicolescu com relação aos três pilares da Transdisciplinaridade. Para ele trata-se de: níveis de Realidade, a lógica do Terceiro termo Incluso e da Complexidade. Para nós trata-se: da Multiplicidade de Mundos, a lógica do Terceiro Termo Incluso e da Complexidade.
Esta pequena diferença no que diz respeito ao primeiro ponto, condiciona mudanças de visão em cascata. No nosso caso, não se trata de dizer que a pesquisa transdisciplinar vai na direção de uma unidade do conhecimento, já que não há unidade metafísica a ser alcançada. Não devemos ter receio do diverso na sua diversidade. Se há algo que devemos ter receio é da extrapolação de um tipo de poder, do totalitarismo de uma idéia ou de um modo de produção. Creio que a perspectiva transdisciplinar tem como seu grande interlocutor-oponente não o campo dos saberes, mas o poder político, e mais especificamente o poder totalitário, seja ele regido pelo capital, tal como hoje nos encontramos com a ditadura da economia de mercado, ou por sistemas de pensamento fechados etc.
Segundo Basarab Nicolescu, uma Disciplina trata de um objeto específico de conhecimento. Já na Pluridisciplinaridade um objeto de pesquisa é estudado por várias disciplinas ou enfoques, ao mesmo tempo. A Interdisciplinaridade diz respeito a transferência de métodos ( e não de objeto) de uma disciplina à outra. Neste caso, ele distingue três graus de interdisciplinaridade: a) um grau de aplicação: quando um método de uma disciplina (física nuclear) é transferido para outra (medicina), produzindo novos efeitos(medicina nuclear); b) um grau epistemológico: quando um método de lógica formal é transferido para a área de Direito, gerando novas análises epistemológicas do Direito; c) um grau de geração de novas disciplinas: quando métodos matemáticos foram transferidos para a física geraram a física matemática. Por fim, a Transdisciplinaridade diz respeito ao que está, ao mesmo tempo, entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de todas as disciplinas. Seu objetivo é a Compreensão do mundo presente, e um dos imperativos para isso é a unidade do conhecimento.
É evidente que desde a Grécia antiga o Ocidente foi constituindo campos específicos de conhecimento, tais como a filosofia, a física, a matemática, a lógica. Mas foi somente após o século XVII que houve uma melhor e maior demarcação e especialização dos campos científicos com a introdução do método experimental. Apesar de a natureza ser aparentemente una, o espírito científico moderno revelou uma multiplicidade de objetos de pesquisas, cada qual pertencendo a um mundo particular, exigindo uma metodologia específica de pesquisa, com resultados e aplicações também particulares. Essa perspectiva científica é hoje criticada dizendo-se que a ciência fragmentou a unidade, isto é, se vivemos em uma única realidade, se o universo é uno então falta integrar os saberes que se encontram dispersos. Tal é a perspectiva do pensamento holístico e o de Nicolescu.
Esta perspectiva, que muitos intitulam novo paradigma, supõe que os saberes são fragmentos de um único todo. Ela postula que é exatamente por ter desconsiderado que os saberes são partes de um único sistema que a terra-humanidade corre perigo, denunciando assim o esgotamento da perspectiva especialista fragmentária.
Não sendo possível descartar os saberes instituídos, concebe-se então a realidade como sendo composta por níveis. É assim que Nicolescu define uma Disciplina. Diz ele “A pesquisa disciplinar diz respeito, na melhor das hipóteses, a um único e mesmo nível de Realidade; além do mais, na maioria dos casos, refere-se a apenas um fragmento de um nível de Realidade.” É pensando assim que ele também define a Transdisciplinaridade como sendo “a dinâmica engendrada pela ação de diferentes níveis de Realidade ao mesmo tempo.” É evidente que o objetivo do autor é preencher as lacunas existentes entre os níveis e, neste caso, o estudo transdisciplinar complementaria o disciplinar. Esta lacuna entre níveis é o que ele denomina vácuo. Diz ele: “Na presença de vários níveis de Realidade, o espaço entre as disciplinas e além das disciplinas está cheio, assim como o vácuo quântico está cheio de possibilidades: da partícula quântica às galáxias, do quark aos elementos pesados, que condicionam o aparecimento da vida no universo. A estrutura descontínua dos níveis de Realidade determina a estrutura descontínua do espaço transdisciplinar, que por sua vez explica por que a pesquisa transdisciplinar é radicalmente distinta da pesquisa disciplinar, mesmo quando totalmente complementar.” É pensando assim que Nicolescu diz que o objetivo da pesquisa transdisciplinar é a compreensão do mundo presente. É neste sentido que a perspectiva de Nicolescu é holista.
Não considerando tal perspectiva como errada, pois tal conceito já foi há muito descartado do espírito científico, definimos a Transdisciplinaridade adotando uma postura teórica diferente. O ponto de partida é o mesmo, isto é, os diferentes “níveis” ou objetos de estudos das diversas disciplinas instituídas. Só que não se postula um todo por detrás das partes, o que não quer dizer que não haja todos e partes, e que vários problemas que hoje a humanidade se depara têm como causa esta fragmentação. Mas podemos pensar também na existência de objetos de pesquisa que se caracterizam por possuir uma natureza que transversaliza os campos disciplinares existentes. Tal seria, por exemplo, o campo da subjetividade. E não é o caso dizer que a neurologia, a biologia, a sociologia, a etnologia, a psicologia, podem fornecer elementos-partes que integrariam o todo. O que queremos afirmar é que a história homem-natureza pode fazer emergir novos objetos na natureza. A natureza neste caso não estaria desde sempre dada e completa, cabendo ao homem estudá-la separadamente é depois integrá-la. A natureza não nasce acabada. Dela e nela emerge novos seres, novos objetos, em conformidade com a história humana.
Na perspectiva transdisciplinar holista há uma visão relativista da natureza e, como sabemos, esta se sustenta na separação homem-natureza, separação inerente ao paradigma da ciência moderna. Queremos afirmar que não há necessidade de afirmarmos um todo, uma unidade metafísica transcendente, para enfrentarmos os problemas humanos deste final de século. Ë evidente que precisamos de uma visão para enfrentar os problemas, uma visão que integre os diferentes níveis de conhecimentos existentes, isto é, que levem em consideração os estudos pluri, inter e disciplinares. No entanto, devemos nos precaver dos exageros, ou melhor, desta característica do pensamento messiânico: de uma parte generalizar-se o todo, de uma idéia se transformar nA Idéia.
No nosso modo de pensar, a Transdisciplinaridade é um modo de pensar que possui objetos específicos de pesquisa. Talvez não seja abuso dizer que, paradoxalmente, trata-se de uma nova Disciplina. Ela não visaria integrar mas pesquisar objetos sem fronteiras, e é neste sentido que ela inclui a lógica do Terceiro Termo Incluso, a teoria da Complexidade e a teoria da Multiplicidade.
Sendo assim, concordamos em dois ponto com Nicolescu com relação aos três pilares da Transdisciplinaridade. Para ele trata-se de: níveis de Realidade, a lógica do Terceiro termo Incluso e da Complexidade. Para nós trata-se: da Multiplicidade de Mundos, a lógica do Terceiro Termo Incluso e da Complexidade.
Esta pequena diferença no que diz respeito ao primeiro ponto, condiciona mudanças de visão em cascata. No nosso caso, não se trata de dizer que a pesquisa transdisciplinar vai na direção de uma unidade do conhecimento, já que não há unidade metafísica a ser alcançada. Não devemos ter receio do diverso na sua diversidade. Se há algo que devemos ter receio é da extrapolação de um tipo de poder, do totalitarismo de uma idéia ou de um modo de produção. Creio que a perspectiva transdisciplinar tem como seu grande interlocutor-oponente não o campo dos saberes, mas o poder político, e mais especificamente o poder totalitário, seja ele regido pelo capital, tal como hoje nos encontramos com a ditadura da economia de mercado, ou por sistemas de pensamento fechados etc.
Ditos impertinentes
Freud viu muito bem que o inconsciente trabalha com metonímias ou metáforas. O que ele não viu, ou não teve coragem de dizer, é que esse inconsciente é o do homem ocidental escravo. O inconsciente metafórico é aquele que não pode dizer diretamente. Pior, os neuróticos, continuadores da Psicanálise, naturalizou a linguagem tornando-a naturalmente tropos, desvio, distanciamento do real.
Nietzsche viu bem melhor, ou melhor, teve mais coragem de afirmar que o pensamento tá assentado em um corpo que emite enunciados em função das suas forças.
Se o inconsciente é máquina, como o disseram Deleuze e Guattari, se ele não é representacional, é exatamente para afirmar que o inconsciente represenacional é já secundário, efeito da repressão e do medo.
Nietzsche viu bem melhor, ou melhor, teve mais coragem de afirmar que o pensamento tá assentado em um corpo que emite enunciados em função das suas forças.
Se o inconsciente é máquina, como o disseram Deleuze e Guattari, se ele não é representacional, é exatamente para afirmar que o inconsciente represenacional é já secundário, efeito da repressão e do medo.
Germe das políticas do pensamento
A modernidade, ao mesmo tempo que faz emergir os dois tipos de sujeito, sujeito epistêmico e sujeito da paixão, o submete a uma mesma ordem de pensamento: o pensamento científico. A critica de Nietzsche a ciência, seja ela qual for, situando-a como um modo de pensamento proveniente de um modo/estilo de vida e de existência, é o que, ao nosso ver, constitui a guinada da modernidade. O que caracteriza a modernidade é uma vontade de conhecer o sujeito a partir do próprio sujeito, sendo tal conhecimento querendo-se transcendente ao sujeito do conhecimento. Daí todas as aporias e contradições que encontramos no campo das ciências humanas.
FATORES PARA COMPREENDER O CORPO DO HOMEM A PARTIR DAS PESQUISAS DAS CIÊNCIAS HUMANAS
O CORPO do homem tem, no mínimo, 4 (quatro) DIMENSÕES, simultaneamente. DIMENSÃO BIOLÖGICA; SIMBÓLICA; PODER; SUBJETIVA.
O CORPO DO HOMEM é um CORPO-DEVIR.
Existem dois tipos de devires: um DEVIR INDIVIDUAL, ou história individual, caracterizado pelos processos que vão desde o ato da fecundação até a morte, corpo ontogenético; e um DEVIR COLETIVO, um corpo inserido na história da coletividade.
O DEVIR INDIVIDUAL possui, no mínimo, duas modalidades: devir individual subjetivo ou psicogênese, é um devir individual orgânico - somatogênese.
O DEVIR COLETIVO pode ser subdividido em três tipos de devires: DEVIR- BIOLOGICO, o corpo do homem inserido na história da espécie humana, o que o liga a vida sobre a terra; DEVIR-SIMBOLICO, o corpo inserido na história de uma determinada tradição cultural, de crenças, símbolos etc; DEVIR-PODER INSTITUCIONAL, onde o corpo se insere em uma história das relações de poder, de dominação, da história
OBS.Em cada momento de devir do corpo humano, de acordo com o desenvolvimento do seu corpo biológico, os comportamentos-processos de todas as ordens assumem feições específicas.
A DIMENSÃO BIOLÖGICA nos revela que o CORPO DO HOMEM é um SER VIVO,
.A DIMENSÃO SIMBÓLICA nos diz que o homem é um ser que usa meios simbólicos no seu relacionamento com a realidade e produz com eles: mitos, crenças, conhecimentos, sonhos, filosofia, arte, leis. Esta dimensão coloca o corpo do homem em relação a um sistema misto concreto/abstrato. A linguagem como todos nós sabemos é um sistema de signos formados pela união de um significado e de uma imagem, visual, acústica, tátil.
A DIMENSÃO PODER DO CORPO DO HOMEM diz respeito às relações de poder, de DOMINAÇÃO E PERMANENCIA DE DOMINAÇÃO de um corpo sobre outro, o que implica CONFLITO. A DIMENSÃO PODER é a exploração e tudo que se inventa para manter a exploração/dominação. É a dimensão da revolta, da luta, do sangue, da insatisfação. É a dimensão do assassinato. A DIMENSÃO PODER DO HOMEM é o que nele o torna dominante ou dominado. Trata-se da Dimensão da DOMINAÇÃO, do conflito, do exercício de poder. É a Dimensão do certo e do errado, do controle comportamental.
A DIMENSÃO SUBJETIVA DO CORPO DO HOMEM diz respeito à sua INDIVIDUALIZAÇÃO e SINGULARIDADE. A SUBJETIVIDADE é composta de IDEIAS, AFETOS e PERCEPTOS. Idéias, afetos e perceptos que podem ser de suas qualidades: REPETITIVAS e CRIATIVAS. A subjetividade é da ordem do invisível e não do privado.
Existem três tipos de Subjetividades que se cruzam na individualidade: subjetividade simbólica/mítica, “trata-se de um modo de pensar que parte do princípio de que, se não se compreende tudo, não se pode explicar coisa alguma.”[1] Subjetividade Poder Conflitual, onde pensa-se que existe um certo e um errado, um bem e um mal; Subjetividade Criadora, onde a verdade é o próprio ato de criar.
A característica principal da Dimensão Subjetiva singular é a CRIAÇÃO. As mudanças do Corpo do homem têm que passar por transformações subjetivas.
Todo homem possui um CORPO SINGULAR. Esta singularidade o coloca para além do biológico, do simbólico e do poder. O biológico o faz pertencer a mesma espécie; o simbólico o faz pertencer a humanidade; o poder faz pertencer a mesma rede de dominação. Já a subjetividade singular o coloca na DIFERENÇA.
As Subjetividades, simbólica e poder, são subjetividades herdadas, idéias, afetos e percepções repetitivos, idéias, afetos e percepções padronizados. Já a subjetividade criadora é o propriamente estilístico, é a DIFERENÇA AUTENTICA. É a subjetividade criadora de novas idéias, de novos afetos, de novas percepções.
Na Subjetividade herdada poder, há contradição entre o agir e o pensar: pensa-se de um modo e age-se de outro. Trata-se da forma política de ser. Ou então, falar por falar, falar sem ação.
[1] L. Strauss, Mito e Significado, Porto, Ed. Rès, p.31
O CORPO DO HOMEM é um CORPO-DEVIR.
Existem dois tipos de devires: um DEVIR INDIVIDUAL, ou história individual, caracterizado pelos processos que vão desde o ato da fecundação até a morte, corpo ontogenético; e um DEVIR COLETIVO, um corpo inserido na história da coletividade.
O DEVIR INDIVIDUAL possui, no mínimo, duas modalidades: devir individual subjetivo ou psicogênese, é um devir individual orgânico - somatogênese.
O DEVIR COLETIVO pode ser subdividido em três tipos de devires: DEVIR- BIOLOGICO, o corpo do homem inserido na história da espécie humana, o que o liga a vida sobre a terra; DEVIR-SIMBOLICO, o corpo inserido na história de uma determinada tradição cultural, de crenças, símbolos etc; DEVIR-PODER INSTITUCIONAL, onde o corpo se insere em uma história das relações de poder, de dominação, da história
OBS.Em cada momento de devir do corpo humano, de acordo com o desenvolvimento do seu corpo biológico, os comportamentos-processos de todas as ordens assumem feições específicas.
A DIMENSÃO BIOLÖGICA nos revela que o CORPO DO HOMEM é um SER VIVO,
.A DIMENSÃO SIMBÓLICA nos diz que o homem é um ser que usa meios simbólicos no seu relacionamento com a realidade e produz com eles: mitos, crenças, conhecimentos, sonhos, filosofia, arte, leis. Esta dimensão coloca o corpo do homem em relação a um sistema misto concreto/abstrato. A linguagem como todos nós sabemos é um sistema de signos formados pela união de um significado e de uma imagem, visual, acústica, tátil.
A DIMENSÃO PODER DO CORPO DO HOMEM diz respeito às relações de poder, de DOMINAÇÃO E PERMANENCIA DE DOMINAÇÃO de um corpo sobre outro, o que implica CONFLITO. A DIMENSÃO PODER é a exploração e tudo que se inventa para manter a exploração/dominação. É a dimensão da revolta, da luta, do sangue, da insatisfação. É a dimensão do assassinato. A DIMENSÃO PODER DO HOMEM é o que nele o torna dominante ou dominado. Trata-se da Dimensão da DOMINAÇÃO, do conflito, do exercício de poder. É a Dimensão do certo e do errado, do controle comportamental.
A DIMENSÃO SUBJETIVA DO CORPO DO HOMEM diz respeito à sua INDIVIDUALIZAÇÃO e SINGULARIDADE. A SUBJETIVIDADE é composta de IDEIAS, AFETOS e PERCEPTOS. Idéias, afetos e perceptos que podem ser de suas qualidades: REPETITIVAS e CRIATIVAS. A subjetividade é da ordem do invisível e não do privado.
Existem três tipos de Subjetividades que se cruzam na individualidade: subjetividade simbólica/mítica, “trata-se de um modo de pensar que parte do princípio de que, se não se compreende tudo, não se pode explicar coisa alguma.”[1] Subjetividade Poder Conflitual, onde pensa-se que existe um certo e um errado, um bem e um mal; Subjetividade Criadora, onde a verdade é o próprio ato de criar.
A característica principal da Dimensão Subjetiva singular é a CRIAÇÃO. As mudanças do Corpo do homem têm que passar por transformações subjetivas.
Todo homem possui um CORPO SINGULAR. Esta singularidade o coloca para além do biológico, do simbólico e do poder. O biológico o faz pertencer a mesma espécie; o simbólico o faz pertencer a humanidade; o poder faz pertencer a mesma rede de dominação. Já a subjetividade singular o coloca na DIFERENÇA.
As Subjetividades, simbólica e poder, são subjetividades herdadas, idéias, afetos e percepções repetitivos, idéias, afetos e percepções padronizados. Já a subjetividade criadora é o propriamente estilístico, é a DIFERENÇA AUTENTICA. É a subjetividade criadora de novas idéias, de novos afetos, de novas percepções.
Na Subjetividade herdada poder, há contradição entre o agir e o pensar: pensa-se de um modo e age-se de outro. Trata-se da forma política de ser. Ou então, falar por falar, falar sem ação.
[1] L. Strauss, Mito e Significado, Porto, Ed. Rès, p.31
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